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Coisas... Coisas que encontrei escritas numa letra corrida, sem data:

De que sou muitos não duvido,

Nenhum d’eus ... nenhum d’eles...

Agora quero ser poeta.

Sou-me, assim, o que de muitos mins escolho

Quando a escolha a mim é dada.

E meus muitos são formas, passadas... um por um... acabadas.

Ora quero ser filósofo, ora artista,

Ora poeta, ora eu mesmo,

Ora amado, sempre amante, e

Naturalmente eu. Um farsante.

Doce brincadeira, empilhamento de esqueletos.

Fantasmas, brancos e negros... desespero...

Dos muitos passados e à frente, plural semente.

Ora, ora, ora soltos... sempre  muitos,

Todos loucos, nunca juntos, nunca, nunca...

Não se encontram pois são frutos

De mil instantes... meus passados

Incessantes criam forma, e é só.

Todos idos e todos vindo, sempre muitos

Que se reúnem e se estreitam

Também se fundem onde o tempo se estrangula,

se sufoca, se limita, num instante.

No presente que, agora, mudo, escolhe...

E quando vi já escolheu... meus

Muitos, afinal, repousam na grande farsa

Da minha escolha o pouco que resta...

Chama-se “eu”.

Que eu? Meus mins laçados... e é só.