Mais uma manhã, e a voz trovejante de meu pai soava meu nome: Miguel! Miguel! Seria eu ou seria ele? Afinal, era o mesmo nome, o meu, o dele. Escondia-me, então, sob as cobertas, fingindo dormir. Naqueles dias, fugir do trabalho, assim como fugir do médico, do banho e de cumprimentar pessoas estranhas na sala de nossa casa parecia ser a principal tarefa de uma criança. Aos doze anos, a maioria ia para a rua, mas a loja de meu pai assombrava-me, e era como um fantasma a me perseguir. Os mais velhos, porém, com afeto no olhar me aconselhavam: pequeno Miguel, já está pronto? você deve ir. E eu […]