CRÔNICAS
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DIA CHUVOSO

A RAINHA DAS MULTIDÕES

IDENTIDADE

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Crônicas São Paulo, 06 de agosto de 2011
MEU ENCONTRO

 

Dor nas costas. Dia chuvoso. Hoje.
Outra linha.
Outra,
15:25 hs
15:26 hs... quebrou a fita. Já não sou o mesmo. Lamento.
Lamentos...
Lamentos...
Esse é o meu dia.
A porta se abre,
surge à minha frente uma figura conhecida.
Aproxima-se.
Apóia as duas mãos sobre a mesa.
Aproxima-se mais.
Estou apreensivo.
Seu rosto está a poucos centímetros do meu.
Frente a frente.
Olhos nos olhos.
Aguardo a sua reação.
E um homem de barba. Olhar profundo.
Desvia sua atenção para o que estou escrevendo...
Lê as primeiras linhas. Identifica a minha angustia.
Lê os meus pensamentos. Vê o meu estado.
Espero as suas palavras de conforto, o seu sorriso.
... Cuspiu!!!  Ei!!!  Ô Porcão !!! ... Ah...
Sabe de uma coisa? Agora conheci a peça.
- Sabia que te conhecia de algum lugar.
- De algum tempo, corrige ele.
Senta-se ao meu lado,
começo a lhe mostrar as minha antigas crônicas.
Aproximadamente dez anos voaram.
Dou-lhe as mais interessantes para ler.
Ele se diverte. Ri. Ri. Ri... Dá grandes gargalhadas.
Acha fantástico. Admira a forca das palavras.
As mais sem graça eu escondo. Ele quer ver.
Quer ler todas. Tudo.
Se emociona. Chora.
Nosso tempo está se acabando...
O tempo voa.
Não ha tempo para conversarmos.
Ele se levanta, nos abraçamos. Forte.
Força !!!
Nos olhamos. Profundo.
Seus contornos vão sumindo...

Sua imagem torna-se transparente.
Vejo a sala, os objetos através dele.
Ouço suas palavras, sinto sua força.
Volta a sua forma original.
- Gostei do truque.
- Gostei do seu jeito.
Ele agradece. Devolve o elogio.
- É ridículo, completa.
Da gargalhadas.
Não entendo direito. Em todo caso...
Apertamos as mãos.
Abre a porta. Sai.
Alguma coisa cai de seu bolso.
Corro ate a porta. Quero chamá-lo. Não sei seu nome.
Vejo-o seguindo. Olho para a carteira que deixou cair.
Sua carteira. Leio seu nome. Vejo-o seguindo.
Não consigo falar. Ele dobra a esquina. Não mais o vejo.
Leio seu nome. Leio seu nome. Leio seu nome.
Inacreditável...

Myloff Darum


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IMAGEM DA GALERIA
A Morada. / acrílico e mista sobre tela, 70x105 cm, 1988, acervo.
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Rodapé
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