A Coluna da Sabedoria
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A Descoberta da Escrita

Avicena

A Notícia

A Lei dos Contrários

As Perguntas do Príncipe

O Vaso de Jade

A Idade de Mahmun

As Terras do Rei

O Mito do Tarot

A Origem do Jogo de Xadrez I

A Origem do Jogo de Xadrez II

O Julgamento Entre Duas Mães

A Troca do Tapete

A Cinderela Chinesa

Os Sábios e as Salas Vazias

O Burro

A Justiça dos Ratos

A Carroça

O Poder de K'ai

O Sapateiro que Assobiava

O Deus do Céu

As Botas de Abu Kassim

O Tesouro Enterrado

Espera até a Eternidade

A Criação

Os Grandes Chefes

A Moeda do meu Sossego

O Tempo

As Taças de Vinho

As Castanhas de Ouro

Im Jantar para os Amigos

As Pedrinhas Milagrosas

Ao Mestre

A Coluna da Sabedoria São Paulo, 22 de outubro de 2012
A notícia

Em uma oficina de marcenaria, dirigida pelo sábio Pérsio havia, como em toda oficina, categorias diferentes entre os artesãos. Aqueles que já reuniam certos conhecimentos e prática suficiente para realizarem as suas tarefas sozinhos eram chamados de mestres; e os que estavam iniciando o ofício chamavam-se aprendizes.
Durante o horário da folga, quando Pérsio estava sozinho, revendo os materiais, foi surpreendido por um dos jovens aprendizes que, apressado e ofegante, entrou na oficina dizendo:
– Mestre Pérsio! Vós já estais a par da notícia a respeito de Glauco, o mestre que trabalha ao meu lado?
– Não, não sei nada a respeito, respondeu Pérsio.
– Pois bem, então vou contar-vos tudo o que fiquei sabendo, disse ansioso o rapaz.
– Com certeza, concordou Pérsio, pois estou muito curioso para saber do que se trata. Mas antes de me dar essa notícia, devo  perguntar-te se ela já passou pelas Três Peneiras da Sabedoria.

– Mas que peneiras da sabedoria? Nunca me dissestes nada a respeito delas.
–Não disse porque não havia chegado o momento. Mas com certeza irás entender.
Pérsio saiu por um instante e trouxe ao rapaz três peneiras, e mandou que ele as segurasse em uma das mãos e que, na outra, segurasse algumas pedras. E continuou Pérsio:
– Muito bem, vamos à primeira peneira: a Peneira da Verdade. Dize: tens certeza de que essa notícia que irá me dar é verdadeira?
– Bem, disse o rapaz, para ser honesto isso eu não poderia afirmar, pois...
– A tua notícia escorreu pela primeira peneira, interrompeu Pérsio. Vamos à segunda: a Peneira da Consciência. Dize: tu gostarias que essa notícia que acabaste de ouvir se referisse a ti e não a Glauco, o mestre?
– Deus me livre! Disse o aprendiz. De maneira alguma eu gostaria que isso tivesse acontecido comigo.
– A tua notícia, portanto, acaba de escorrer pela segunda peneira. Mas ainda há a terceira: a Peneira da Solidariedade. Dize: a notícia que irás me contar, de algum modo, ajudará ou melhorará a situação de Glauco?
– Bem, certamente que não, a não ser que se faça algo a respeito, concluiu o rapaz.
– Muito bem, dessa forma a notícia que irias dar-me acaba de escorrer também pela terceira peneira. E tudo o que escorre pelas Peneiras da Sabedoria certamente não deve ser algo tão consistente que mereça maior atenção. Como vês, não precisas mais me dar essa notícia; guarda-a contigo.
O aprendiz retirou-se, ainda atônito procurando compreender a profundidade das palavras de Pérsio. E só alguns instantes depois se lembrou das peneiras que segurava na mão: elas estavam intactas. Porém, as pedras que ele levava na outra mão haviam se transformado em areia, que se perdera escorrida entre os seus próprios dedos...

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A tua notícia já passou pelas
Peneiras da Sabedoria?
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